Polícia

“Política de segurança está baseada no confronto”: Violência na Bahia continua a crescer

De janeiro a maio de 2021, a Bahia registrou 572 ocorrências violentas

“Política de segurança está baseada no confronto”: Violência na Bahia continua a crescer
Foto: Alberto Maraux - SSP-BA

A Rede de Observatórios da Segurança na Bahia divulgou um novo relatório sobre a violência na Bahia e outros quatro estados monitorados monitorados pela organização: Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. As informações foram divulgadas pelo G1.

“A nossa política de segurança pública não está baseada na lógica da preservação da vida, mas sim no confronto, no embate. Essa lógica é o que causa a altíssima letalidade entre pessoas criminalizadas e os policiais. É uma política que não funciona para nenhuma das pontas”, afirmou o coordenador da Rede, co-fundador da Iniciativa Negra por uma Nova Políticasobre Drogas (INNPD) e historiador, Dudu Ribeiro.

De janeiro a maio de 2021, a Bahia registrou 572 ocorrências violentas, que vão desde mortes policiais, morte causadas por policiais, feminicídios, violência contra crianças e adolescentes, racismo, violência contra pessoas LGBTQIA+ e chacinas, o único crime que aumentou em relação ao ano passado.

Apesar da manutenção da letalidade os enfrentamentos envolvendo armas de fogo diminuíram 61,6% em comparação com 2020. A redução desses percentuais se devem a dois fatores: a deficiência na divulgação de dados oficiais, que acaba levando ao segundo fator: a queda no registro dos casos pela mídia, uma das principais fontes do Observatório.

O Monitor da Violência, um levantamento exclusivo feito pelo G1 em parceria com o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, identificou também um crescimento de 47% no índice de pessoas mortas por policiais no último ano, em comparação com 2019, na Bahia.

Os dados saltaram de 773 vidas interrompidas por interferência policial, para 1.137, em 2020. O número de policiais da ativa assassinados saiu de oito, em 2019, para 11 em 2020.

No ano passado, o relatório “A cor da violência”, também da Rede de Observatórios, identificou que 96,9% das pessoas assassinadas pela polícia na Bahia, em 2019, eram negras: 474.

“A gente também precisa assinalar que a maioria dos agentes policiais mortos em confronto são negros. Ou seja: os negros são a maioria das mortes independentemente do lado que se olhe. Eles morrem na ponta de farda ou na ponta sem farda”.

Crescimento das chacinas

O único dado que teve crescimento entre janeiro e maio de 2021, em comparação com o ano passado, foi o de chacinas. Alarmantemente, o percentual subiu em 37,5%.

Feminicídios

No caso dos feminicídios, a subnotificação dos dados vem da dificuldade na tipificação do crime de ódio contra mulher. Por outro lado, as políticas públicas e de mídia reforçam a importância da denúncia, antes que a violência psicológica, patrimonial e física acabe em morte.

“Durante a pandemia a registramos um crescimento importante de violência contra mulheres. Nós também temos políticas públicas que acolhem e incentivam as denúncias. Não é uma violência fácil de ser registrada, por causa da dificuldade dos órgãos públicos qualificarem esse tipo de violência”.

“Fazemos um exercício metodológico, para não deixar passar casos que são feminicídios, mas não foram registrados como tal. No entanto, esses dados não viram políticas públicas por causa do mau tratamento dos dados”.


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