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Lemos Brito: Fugas, drogas e escavação entre celas já se tornaram comuns na penitenciária

Espancamento e assassinato de detentos se tornaram ocorrências comuns

Lemos Brito: Fugas, drogas e escavação entre celas já se tornaram comuns na penitenciária
Foto: Divulgação / Sinspeb

Poucas penitenciárias registram tantas ações criminosas escancaradas como a Penitenciária Lemos Brito, onde está localizado a unidade Presídio Salvador, no Complexo da Mata Escura. Espancamento e assassinato de detentos, drogas sendo lançados de fora para dentro da prisão e inúmeras fugas de presos já se tornaram ocorrências comuns para a unidade.  

A notícia mais recente, ocorrida no último dia 13 deste mês, se tratou da descoberta de uma escavação que ligava duas celas na penitenciária. No momento do flagrante, duas facas, sete celulares, um caderno de anotações e carregadores foram encontrados. A passagem e os materiais foram encontrados por buscas, com mandados judiciais, pedidas pelo Departamento de Polícia Metropolitana (Depom) 

No dia 7 do mesmo mês, apenas seis dias antes, saiu nos jornais o assassinato de Josevaldo da Luz Oliveira, que foi morto por detentos que utilizavam camisas no rosto para não serem identificados. Preso para responder por dois homicídios, o presidiário estava custodiado em Jequié e foi executado horas depois de ser transferido para o Presídio Salvador, localizado no Complexo da Mata Escura. 

Já no dia 29 de abril, dois criminosos foram flagrados tentando lançar maconha no presídio. No total, 26 kg da droga foram encontradas no entorno da penitenciária. Além das drogas lançadas, outros tipos de entorpecentes, cadernos com anotações, dinheiro, carregadores, celulares e facões já foram encontrados dentro das celas. 

Foto: Carol Garcia/GOVBA

Apesar de uma sequência de crimes com intervalos de poucos dias, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) alegou ao Bahia 190, que há melhorias “perceptíveis desde 2015” e afirmou que o Governo do Estado e o Secretário Nestor Duarte Neto “não poupam esforços para a correção e melhorias das unidades prisionais”.  

Questionados pelo B190 sobre a quantidade de lançamentos de drogas ao presídio e fugas, que já foram noticiadas diversas vezes, a Seap afirmou que a entrega dos entorpecentes acontecem quase que mensalmente, porém, de acordo com o órgão, estão sempre sendo frustrados. Sobre as fugas, a Secretaria contabilizou três tentativas no decorrer de 2020 e 2021. 

Com a segunda maior população carcerária entre as penitenciárias da Bahia, a Lemos Brito conta com 1.286 detentos, mesmo tendo capacidade para apenas 771 deles (um excedente de 515 presos), perdendo apenas para o Conjunto Penal de Feira de Santana, que possui 1.739 detentos.  

Apesar da Penitenciária Lemos Brito ter uma grande quantidade de presidiários e de ser o local onde a facção criminosa BDM (Bonde do Maluco) foi criada, a Seap alega não conhecer a existência de patentes altas de facções criminosas. 


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